Nem tudo são flores: a desilusão com o funcionalismo público

icone calendario 20 Maio 2015

Olá queridos! O artigo de hoje é uma reflexão sobre as expectativas e a realidade dos servidores públicos. É importante pensar friamente e analisar as expectativas dos servidores e o quanto alguns se frustam ao sentir que o trabalho que desempenham e que lhes exigiu tanto seja apenas mera burocracia e formalidade.

Nesta semana, uma servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região tirou a própria vida em seu local de trabalho – o fórum trabalhista da Barra Funda. Este não é primeiro caso, mas gostaríamos que fosse o último. Não tenha medo de procurar ajuda médica e psicológica e não tenha medo de mudar – mais uma vez – sua vida e sua carreira, caso a função escolhida e tão duramente conquistada não esteja dentro das suas expectativas. Você merece ser feliz e é o único capaz de determinar e correr atrás da sua felicidade pessoal e profissional!

Abaixo um desabafo de uma colega dos tribunais que compartilho com vocês. Texto originalmente publicado neste link .

in memorian Serviço Público Brasileiro: Ilusão para Concurseiros, Ineficácia para Sociedade

Uma triste notícia recebida hoje, 13 de outubro de 2014, me obrigou a parar e compartilhar uma breve reflexão sobre o Serviço Público Brasileiro, em especial aquele prestado pelo Poder Judiciário, do qual faço parte.

É que uma jovem colega de trabalho, também servidora pública, recém-empossada no Tribunal Regional da 2ª Região, se atirou do 8º andar do Fórum da Barra Funda em São Paulo, aquele prédio construído com superfaturamento pelo Juiz Nicolau dos Santos Neto, o famoso Juiz “Lalau”.

Pasmem: Trata-se do terceiro servidor, pertencente ao quadro daquele Órgão, que cometeu suicídio em menos um mês.

Amanda Priscila Santos Costa, era natural do Rio Grande do Norte e, após aprovação em concurso público para o cargo de Técnico Judiciário, havia sido lotada na 62ª Vara do Trabalho da Capital Paulista desde agosto passado. Além dela, Edélcio Ribeiro, agente de segurança do TRT/SP há 23 anos, também retirou a própria vida, no último dia 25 de setembro, dentro das dependências do aludido Tribunal. Já a servidora Erica Yamamoto, faleceu em condições similares, no último dia 16 de setembro, dentro de casa, enquanto era lotada na 51ª Vara do Trabalho da mesma Capital.

Tristes casos fatais.

Tratar-se-ão de trágicas coincidências?

Se não o fossem, poderia haver alguma causa comum que gerasse nesses colegas tamanho desespero a ponto de desejar o fim da própria vida?

Ora, ainda no campo das hipóteses, considerados “os ditos privilégios” da categoria de servidores públicos federais tais como a estabilidade e salários promissores, poderia haver um único fator sequer capaz de ensejar descontentamento sério e angustiante na classe?

Mas e se, além dos três nobres colegas que se foram, existissem, como, de fato, existem, centenas de outros servidores do Judiciário afastados de suas funções por questões de cunho psicológico e emocional?

Nesse ponto, urge que a Transparência, princípio de Direito Administrativo que rege todo e qualquer Serviço Público, seja respeitada, divulgando-se o número atual de servidores públicos licenciados por semelhante razão.

No que concerne aos queridos colegas falecidos, em que pese não haver respostas conclusivas no momento, o merecido respeito que lhe devotamos nos convoca para uma indispensável reflexão: O mundo “cor-de-rosa” do Serviço Público Brasileiro só existe, na verdade, nas propagandas políticas eleitoreiras e nas salas de aula dos cursinhos preparatórios para concurso público.

A realidade vista por quem está dentro é outra, completamente diferente.

Noventa por cento dos concurseiros aprovados se decepciona com as reais condições de trabalho encontradas, antes mesmo do primeiro ano de trabalho.

Dizer que há, de fato, Gestão Pública no Brasil é quase uma falácia.

Um exemplo simples dessa equivocada política de gestão se dá na própria Justiça do Trabalho: Nos concursos realizados para preenchimento do quadro de servidores, são oferecidas vagas para os cargos de Técnico e Analista Judiciários. Para o cargo de Técnico, é necessário segundo grau completo, enquanto que, para Analista, exige-se nível superior. Os Técnicos recebem o salário inicial de R$ 4.635,03 e os Analistas, R$ 7.566,42.

Uma vez empossados, não se verifica qualquer distinção FUNCIONAL entre os cargos. Logicamente, aprovados em certames muitíssimo concorridos, ambos são extremamente qualificados.

Mas a questão é: porque o cidadão-contribuinte deve arcar com uma remuneração de R$ 7.566,42 para os Analistas se, comprovadamente, ao menos nas inúmeras Varas do Trabalho, os Técnicos, que recebem R$ 4.635,03 dão conta – com igual técnica – da mesma atividade?

Notem: são concursos diferentes, com valores de inscrição diferentes, editais diferentes, graus de dificuldade diferentes, requisitos diferentes, para, no final desempenhar as mesmas atividades.

Resultado desse imbróglio? Primeiro: Gasto público desnecessário. Segundo: Insatisfação generalizada. Uns (Analistas) porque precisaram completar um maior número de requisitos para preencher um cargo de maior conhecimento técnico-jurídico e, ao final, desempenhar as mesmas atividades e outros (Técnicos) porque desempenham exatamente a mesma atividade, com igual dedicação e pior remuneração. Enfim, todos desmotivados. Afinal, estudaram tanto para passar e, agora, passam horas a carimbar, furar e numerar folhas, carregar e empilhar volumes de processo, e demais tarefas mecanizadas…

É nesse momento que costuma emergir um traumático choque de realidade: sai a ilusão vendida pela indústria do concurso público e entram a burocracia, descaso e péssimas condições de trabalho vivenciados na rotina diária dos servidores.

Percebem que não passam de uma peça “robotizada” no tabuleiro do Judiciário.

As nomeações, lotações e remoções, quase que na totalidade, não guardam qualquer relação com as competências, currículos ou características particulares do ser humano aprovado.

Ainda que haja tentativa nesse sentido – Projeto de Gestão por Competências do Poder Judiciário – a mesma não está sendo capaz de gerar resultados. Contra fatos não há argumentos.

Sobremais, maioria dos concurseiros aprovados são de outros Estados. Quando conhecem a dura realidade, estão sozinhos e longe da família. Tentam – por si sós – amenizar a decepção e voltar para perto de seus familiares, através das infindáveis buscas de interessados em concretizar uma remoção por permuta.

Esse também era o contexto no qual estava inserida a colega Amanda, falecida hoje. Técnica Judiciária do TRT/SP, inscrita em sites de permuta, buscando uma remoção para os Tribunais do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Às citadas circunstâncias, somam-se os inúmeros casos de assédio moral por parte de autoridades (em geral, juízes e desembargadores) tão frequentes na rotina dos servidores. Trata-se de fato público e notório, plenamente ratificável pelos sindicatos e associações da classe, assim como por todos profissionais que atuam no meio.

Infelizmente, essas mesmas autoridades que julgam e analisam casos de assédio moral entre patrões e empregados, condenando em indenizações altíssimas em relação a fatos ocorridos na esfera corporativa, muitas vezes ignoram a própria conduta dentro do Poder Judiciário, transmudando-o num microcosmo da impunidade.

Quantos agentes públicos precisarão mais morrer ou enlouquecer para que o assunto em baila volte a preencher as pautas?

É hora de se repensar seriamente o caos em que se encontra a Gestão Pública Brasileira, pois, em última análise, PERDEMOS TODOS. Perde o estudante engajado que passou no concurso público acreditando conquistar uma carreira de sucesso. Perdem as autoridades com as suas equipes desmotivadas. E perde a sociedade, que continua pagando altíssimos impostos sem, contudo, receber uma contraprestação de mínima qualidade.

 

Abração forte de Ursa

Com persistência e fé nem um sonho vai a pé

catia-pipoca   Cátia Pipoca é concursanda por natureza 

e dá dicas para concurseiros guerreiros em seu blog, o http://catia-pipoca.blogspot.com.br     e em sua fanpage  https://www.facebook.com/C.PoPcon    

 

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