Sem realizar o concurso INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) desde 2015, órgão tem apenas 7,8 mil servidores para analisar mais de 1,5 milhão de benefícios
Falta de servidores no INSS
Não é de hoje que a fila de benefícios do INSS vem aumentando. De acordo com o presidente da Fenasps, Moacir Lopes, este problema no Instituto Nacional do Seguro Social vem sendo debatido há anos.
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LIBERAR ACESSO!Mas, ao que tudo indica, nenhuma medida apresentada até hoje foi capaz de, efetivamente, sanar o problema na demorada concessão de benefícios. E agora, sem realizar um novo concurso INSS, a autarquia já perdeu 40% do quadro de servires, o que agrava ainda mais a situação.
Segundo informações da diretora da Federação Nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Previdência, Thaize Chagas Antunes, este foi o percentual de perda contado somente do ano de 2017 para cá.
É estimado que cerca de 12.000 servidores se aposentaram desde o último edital da seleção, publicado no ano de 2015. Ainda conforme informações, o número de servidores ativos no INSS agora é de apenas 7.872.
Desse quantitativo total, 3.512 são peritos médicos, dos quais pouco mais de 400 voltaram a fazer atendimentos recentemente. E esses profissionais, são os responsáveis por darem conta da fila gigantesca de pedidos de benefícios.
Vale ressaltar que analisar, conceder e fazer a perícia para concessão desses benefícios não é um trabalho fácil. Por se tratar de dinheiro público, é necessária uma avaliação atenta e minuciosa.
Além disso, pesa sobre o trabalho dos servidores as recorrentes tentativas de fraude (que muitas vezes são concretizadas) e o fato de que muitos são casos de extrema necessidade de saúde, como destacou o procurador da República, Júlio José Araújo Júnior.
“A situação que a gente vive é excepcional. Não dá para deixar para depois, porque a gente está lidando com um cenário que pode ser de vida ou morte”.

Um em cada quatro servidores poderá se aposentar até o ano de 2022
Segundo informações do diretor Moacir Lopes, muitas das pessoas que saíram do INSS até poderiam ter trabalhado mais tempo. Mas, de acordo com o sindicalista, saíram em função da política adotada pelo governo, que não motivou a permanência desses servidores.
Lopes também destaca, até o ano de 2022, um em cada quatro profissionais do INSS poderá se aposentar, aumentando ainda mais o deficit no quadro de servidores.
Além da demora para o atendimento à população, é apontado pelo sindicalista outro desafio interno, a sobrecarga dos trabalhadores. Fora isso, existe ainda a questão tecnológica e de infraestrutura. Conforme relatos de Moacir Lopes, o INSS trabalha com um sistema muito atrasado e precário.
“90% de serviços digitalizados, acumulando numa fila. Mas como fazer isso sem funcionários? O Meu INSS não responde plenamente às dúvidas do segurado”, informou o diretor Lopes.
Mas para o diretor da Fenasps, a possibilidade de o edital de abertura ser divulgado é real. Moacir Lopes lembra que o cenário político é algo incerto, mas acredita que a pressão popular pode, sim, ser um fator significativo nessa luta pela realização do novo concurso INSS.
“Se não puder sair agora, sai no meio do prazo. E quem não estiver se preparando, não vai passar. Porque aumentou muito a concorrência nos concursos, por conta da demanda de trabalho. Única coisa que tenho a dizer é que tenham esperança, que estejam preparados e que lutem por isso”.